Olá, mundo! | Salve, mundus! | Hello, world!
Simples, funcional e humana. Esta página nasceu como um exercício prático para demonstrar em como uma presença digital não tem de ser complexa ou cheia de distrações e, ao mesmo tempo, mostrar como a experiência de navegação pode ser mais acessível para pessoas.
Uma página (estática) como esta, pronta a ser exibida ao leitor, reduz a necessidade de processamento remoto ou consultar uma base de dados. Assim, com esta abordagem minimiza-se a dependência de servidores, mais complexos, na geração de páginas, tornando a página mais rápida a chegar ao leitor.
Com um design simples, sem excesso de cores, janelas ou anúncios a ocupar o ecrã, a atenção do leitor foca-se no conteúdo principal – tal e qual como em uma sala de teatro, onde toda a atenção do espetador está no palco e, este, é também o destino de todos os focos de luz. Adicionando, uma tipografia com fontes serif, alinhamento do texto justificado e sem esquecer o avanço da primeira linha, em cada parágrafo, ou um espaçamento entrelinha adequado – mantendo as antigas regras e estilos da indústria gráfica e como também aprendemos na escola; e, quem sabe se a memória nos ajuda, até, a recuperar o cheiro do papel, tornando a leitura mais agradável.
Sem saudosismos, menos transição e melhor adaptação
Aceitámos a ideia de “uma imagem vale mais que mil palavras” e, distraídos, perdemos o conteúdo. Perdidos no meio de títulos, janelas e imagens. Scroll para baixo, scroll para cima, procuramos respostas para perguntas inexistentes ou um “atalho” para ir direto ao assunto, sem ler, por vezes, o mais importante ou sequer a estória completa.
Com a pressa, a interatividade e a hiperconexão, sempre (omni)presente, muito mudou e já não nos lembramos de como era antigamente, a notícia deixou de ter hora marcada e a imprensa periódica desapareceu. De manhã, o ritual de ligar o rádio ou comprar o jornal, no quiosque, acabou. Agora, não importa onde, sabemos sempre mais que todos os outros - Está aqui! Eu ouvi, eu vi ou eu li, dizemos orgulhosamente, quase como quem bate no peito e em sinal de afirmação pessoal. Mas, ansiosos, queremos sempre saber mais, o que ninguém sabe mas já todos viram. Horas perdidas à espera de um “exclusivo” de última hora. E, continuamos: pesquisa, scroll,… Distraídos e entretidos.
A publicidade, o marketing e os novos media prometem informação grátis mas em troca somos nós o produto. Servem-nos cookies, medem, registam tudo e sabem todos os nossos hábitos. Mostram anúncios e esperam o nosso click – está aqui o par de calças que procuraste! Chamam-lhe a “indústria da atenção”. Puro consumismo.
Escrevo este texto e recordo os cadernos de escola. Vejo uma versão digital das folhas onde registava os apontamentos das aulas, passados a limpo em casa. Cadernos pautados com linhas que nos ensinavam e ajudavam a escrever direito, linhas vermelhas para não passar a margem ou os furos para arquivar no dossier. Bem me lembro, ficavam bonitos e eram elogiados no final de cada período letivo.
Para não ficarmos presos num grande
emaranhado, precisamos de mais conteúdos relevantes, escritos,
revistos e lidos com tempo, sem anúncios, nas páginas de papel
digital. Caso contrário, não nos libertamos das redes, e dos seus
donos que nos capturam como, sardinhas, na pesca tradicional. Venham
as boas estórias e salvem a Internet porque a World Wide Web
foi (e ainda é) feita por pessoas e para pessoas, aberta e
inclusiva.
Nuno Filipe Abreu
Analista de Informática